A importância de se manter hidratado.

agua

Cerca de 70% do que somos é água.
São mais que muitos os motivos para consumirmos muita água.

Por Pedro Lôbo do Vale, Médico (in Lifestyle)

Sem água nenhuma espécie vegetal ou animal, incluindo o homem, poderia sobreviver. Cerca de 70 por cento da superfície terrestre está coberta por água e esta ocupa mais de 60 por cento do nosso corpo. Aliás, a água é tão preciosa à sobrevivência que, para os povos que atualmente vivem situações extremas como a guerra, a maior preocupação não é o abastecimento de alimentos, mas sim o fornecimento de água. Aliás há quem preveja, a partir da metade deste século, guerras pela posse deste precioso líquido, pelo que o seu uso deve ser racional.
Como o nosso organismo não consegue armazená-la indefinidamente, devemos ingerir água com regularidade. Com o ritmo de vida actual, a poluição e a falta de tempo para cuidar da nossa saúde, essa necessidade é premente. A água está presente no nosso organismo, nomeadamente no sangue, nos tecidos e nas células. A título de curiosidade, saiba que o cérebro humano é constituído por mais de 70 por cento de água e, se esta percentagem diminuir em 2 por cento, as nossas capacidades físicas e intelectuais podem diminuir em cerca de 20 por cento. A água participa ativamente na digestão, na absorção, circulação e eliminação de muitas substâncias, ou seja, em quase todos os processos fisiológicos inerentes à nossa existência. A água presente no nosso organismo necessita de ser renovada de forma contínua, pois elimina do nosso corpo as toxinas, contribuindo para o seu bom funcionamento e equilíbrio. É também um importante veículo de nutrientes no organismo e ajuda a manter a temperatura corporal. A sua ingestão é essencial, por exemplo, para combater a prisão de ventre, manter a pele e o cabelo saudáveis e ajudar a prevenir as infeções urinárias.

Habitualmente, recomenda-se uma ingestão diária de 1,5L a 2L de água. Porém, esta quantidade pode ser superior dependendo da actividade física ou profissional de cada pessoa. Durante a prática de exercício físico o corpo perde água, através do suor e, consequentemente, oligoelementos e sais minerais que é necessário repor. Assim, quando praticar desporto não se esqueça de levar sempre uma garrafa de água. Um sinal de que ingere pouca água é o facto de apenas ir duas vezes por dia à casa de banho e a urina apresentar um cheiro intenso. Nestes casos, a urina está menos diluída e o organismo está a acumular toxinas. A falta de água é ainda responsável pelo envelhecimento precoce e outras complicações como a obstipação, o aceleramento do ritmo cardíaco, concentração de toxinas, problemas digestivos e mau funcionamento do organismo em geral.
A água é composta por magnésio, cálcio, potássio e por vezes, cobre, zinco e ferro, entre outros oligoelementos. A água da torneira tende a ser mais rica em sódio. As características das inúmeras águas diferem de acordo com a sua origem, o que condiciona a sua riqueza mineral. Por esta razão, deve alternar a qualidade da água que bebe, principalmente se sofrer de problemas de cálculos renais. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a água da torneira não deve ser excluída. Neste caso, certifique-se da sua qualidade e, se duvidar dela, poder optar por filtrá-la.
Deve encarar a ingestão de água como um prazer e não um sacrifício. Crie o bom hábito de beber água ao longo do dia, inclusive em jejum, e não apenas quando tem sede ou às refeições. Por alternativa pode consumi-la em chás, sumos naturais ou outros alimentos. Muitos frutos e legumes são compostos maioritariamente por água, como é o caso do tomate (94%), da couve (92%) ou da melancia (91%).

Smartphones!

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Gestos tão simples como utilizar o telefone ou o tablet estão a interferir com a nossa saúde.
Por Anabela Cordeiro,
Fisioterapeuta e Osteopata
Com o avançar das novas tecnologias como os tablets e os smartphones é habitual vermos muitas pessoas com a cabeça curvada. Sempre que a cabeça de um adulto se inclina para a frente impõem-se à coluna um esforço muito superior ao peso da cabeça e pescoço. Quanto mais se inclina a cabeça mais peso a coluna tem que suportar. Segundo um estudo publicado por Kenneth K. Hansraj, médico cirurgião, quando uma pessoa inclina a coluna cervical 15º a coluna suporta 12 Kg, e quando a inclinação é de 60º isso representa um peso de 27Kg para a coluna. Supondo que em média se passam duas a quatro horas diárias a consultar estes equipamentos com a cabeça inclinada, a coluna cervical sofre muito stress e isso pode, entre outros, alterar a sua mecânica, levar a um desgaste prematuro, dor no pescoço, dor de cabeça e dor nas costas. Para prevenir estas situações é necessário manter a cabeça e pescoço direitos enquanto utiliza estes equipamentos. Pode também fazer alguns exercícios para fortalecimento do pescoço e ombros (um fisioterapeuta pode ajudá-lo a selecionar os exercícios mais recomendados para si).
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Intolerâncias


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O essencial sobre as intolerâncias alimentares


Fala-se cada vez mais de alergias e intolerâncias aos alimentos, mas nem sempre é fácil perceber do que se trata exatamente. Explicamos-lhe o fundamental.

Por Marisa Ferreira.


Nos últimos 15 anos os casos de alergias e intolerâncias alimentares duplicaram a nível mundial, o que justifica a preocupação com este tema. Mas, o que é exatamente uma intolerância alimentar?
“Fala-se em intolerância quando o organismo é incapaz de metabolizar algumas substâncias dos alimentos, o que pode acontecer devido a um défice das enzimas responsáveis pela sua digestão. Em geral, o problema está associado à absorção da lactose – o açúcar do leite, presente no leite de origem animal – e do glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, centeio, cevada, kamut e espelta”, 
Além da deficiência enzimática pode haver outros tipos de intolerâncias como a conservantes alimentares (sulfitos, benzoato sódico e glutamato monosódico, por exemplo) ou a compostos naturalmente presentes nos alimentos, como a cafeína, os salicilatos, as aminas e o glutamato. Alimentos como os queijos curados, o vinho tinto e o chocolate, “por terem substâncias vasoconstritoras, podem provocar cefaleias, náuseas e tonturas em pessoas suscetíveis”, conclui.
Os sintomas mais comuns passam por distúrbios gastrointestinais, como diarreia e vómitos, dores nas articulações, edemas (inchaço), enxaquecas, mal-estar geral, fadiga e erupções cutâneas. “Se o alimento é consumido muito ocasionalmente, os sintomas podem ser imediatos ou ocorrer poucas horas depois. Mas se forem de consumo regular, pode não haver reação imediata e sim uma sintomatologia crónica”, explica a nutricionista.
O que fazer?

Elaborar um diário alimentar pormenorizado, registando simultaneamente os sintomas, é o ponto de partida para identificar os alimentos responsáveis pelo problema. Um dietista ou nutricionista pode orientar uma dieta de exclusão alimentar que, normalmente, dura duas a seis semanas.
Depois faz-se uma reintrodução progressiva de cada alimento de forma a chegar a um diagnóstico correto. Havendo intolerância, a solução passa usualmente por excluir ou diminuir a quantidade do alimento responsável, de forma a minimizar a incidência e intensidade dos sintomas. Em alguns casos de deficiência enzimática é possível usar suplementos de uma enzima produzida industrialmente para ajudar na digestão.
A boa notícia é que, por vezes, a intolerância alimentar é temporária. Algumas desaparecem depois de se abdicar do consume do alimento ou substância durante algum tempo. Em qualquer caso, é importante o acompanhamento de um nutricionista para evitar carências nutricionais que possam tornar-se graves.
Alergia ou intolerância?

A diferença é simples. Na alergia dá-se uma ativação do sistema imunitário em resposta a determinadas substâncias. Nas intolerâncias, na maior parte das vezes existe uma deficiência de algumas enzimas. Esta deficiência não permite a digestão de certo alimento ou causa apenas uma reação fisiológica que não provoca ativação do sistema imunitário (que é o que carateriza a alergia). As consequências também são diferentes: na alergia, sempre que se come o alimento, mesmo que em pouca quantidade, há uma reação – urticária, inchaço nos lábios, olhos e orelhas ou, em casos extremos, uma reação anafilática que pode levar à morte. Já a intolerância pode ter vários graus e, nalguns casos, os sintomas só se manifestam quando o consumo é elevado.