Dra Cátia Fernandes

Depressão.

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(In Portal CUF)

Depressão, o que deve saber


A depressão é uma doença que requer tratamento, daí a importância de procurar ajuda especializada o mais precocemente possível. Embora não existam dados exatos em relação à frequência da depressão em Portugal, estima-se que as formas mais graves de depressão afetem entre 2 a 3% dos homens e entre 5 a 9% das mulheres. Tratando-se de formas mais ligeiras de depressão, a percentagem aumenta para mais de 20%.
Fique a par da diferença entre tristeza e depressão, os sinais a que deve estar atento/a e as terapêuticas disponíveis.
 
Depressão vs. tristeza
A depressão não deve ser confundida com tristeza, embora esta seja um dos sintomas de depressão. No entanto, geralmente, a tristeza surge como reação a um determinado acontecimento e é temporária, enquanto a depressão persiste se não houver tratamento, causando sofrimento e interferindo nas atividades diárias, no rendimento profissional e na esfera familiar.
 
Causas da depressão
Acontecimentos traumáticos podem desencadear a depressão ou promover episódios depressivos. Hoje sabe-se também que o tipo de personalidade e a forma como lidamos com as adversidades pode estar ligado a uma menor ou maior predisposição para a depressão. A nível geral, a depressão parece resultar de uma combinação de fatores do foro genético, ambiental, biológico e psicológico.
 
Sintomas de depressão: aprender a reconhecê-los
Segundo o DSM-IV-TR (guia para classificação de doenças mentais) podemos classificar a Depressão segundo os seguintes critérios:
A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer.
  1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjectivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (por exemplo, chora muito);
  2. Interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as actividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjectivo ou observação feita por outros);
  3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta (por ex., mais de 5% do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias;
  4. Insónia ou hipersónia quase todos os dias;
  5. Agitação ou lentificação psicomotora quase todos os dias;
  6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
  7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias;
  8. Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjectivo ou observação feita por outros);
  9. Pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.
Nota: Não incluir sintomas nitidamente devidos a uma condição médica geral oualucinações ou delírios incongruentes com o humor.
 
B. Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto.
 
C. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
 
D. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos directos de uma substância (por exemplo droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (por exemplo, hipotiroidismo).
  • Sentimentos de tristeza e aborrecimento;
  • Irritabilidade, tensão ou agitação;
  • Preocupação, receios infundados e insegurança;
  • Sensação de aflição;
  • Sentimentos de culpa e de autodesvalorização;
  • Alterações da concentração, memória e raciocínio;
  • Pouca energia;
  • Cansaço e lentidão;
  • Perda de interesse e prazer nas atividades diárias;
  • Alterações do sono e do desejo sexual;
  • Variações do peso;
  • Sintomas físicos não devidos a outra doença (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal-estar geral);
  • Ideias de morte e de suicídio/tentativas de suicídio.
 
Tipos de depressão
Para classificarmos qualquer tipo de depressão temos sempre que considerar o espaço de duas semanas. A depressão Minor trata-se de uma depressão com menos sintomas dos referidos a cima e a Major com mais sintomas e maior carga emocional.
 
Procurar ajuda
É importante frisar que o doente não se deve culpabilizar por se sentir deprimido (nem os outros devem culpabilizá-lo). Quando os sintomas de depressão persistem por algumas semanas é necessário procurar ajuda médica para que a doença possa ser tratada numa fase ainda precoce e os sintomas não se agravem. Os familiares e amigos têm um papel fundamental no reconhecimento dos sintomas e devem aconselhar o doente a procurar tratamento o mais cedo possível.
 
Tratar a depressão
O diagnóstico de depressão é realizado com base na observação, queixas e história clínica do doente. A terapêutica pode incluir a psicoterapia e/ou a toma de fármacos (como os antidepressivos, entre outros). O tratamento é sempre individualizado e só o médico pode prescrever o fármaco mais adequado a cada caso. O apoio familiar e social continua a ser muito importante ao longo de todo o processo.
 
Segundo a APA (American Psychiatric Association) os tratamentos para a depressão deverão sempre incluir psicoterapia e farmacoterapia.
 
Existem diferentes correntes psicoterapêuticas: analíticas, cognitivo-comportamentais, entre outras. O paciente deverá procurar a que se sente mais identificado.